Netanyahu visita Gaza e avisa que "ainda há muito trabalho a fazer"
O primeiro-ministro israelita afirmou hoje, numa visita à Faixa de Gaza, que "ainda há muito trabalho a fazer" no enclave palestiniano, insistindo que Israel não se retirará até que o grupo islamita Hamas seja desarmado.
"Estamos a fazer tudo para atingir o nosso objetivo: o desarmamento do Hamas e a desmilitarização de Gaza. Gaza deixará de representar uma ameaça para Israel. Esse objetivo já foi alcançado em grande parte, e ainda há muito trabalho a fazer e vamos fazê-lo", disse Benjamin Netanyahu, em declarações divulgadas pelo seu gabinete.
o chefe do Governo israelita visitou um posto avançado junto da "linha amarela", que demarca as atuais posições do exército israelita no território palestiniano, acompanhado por vários oficiais generais, entre os quais o comandante do exército, Eyal Zamir.
"Controlamos a área. Não vamos recuar. Permanecemos nesta linha. Controlamos 60% da Faixa, e há mais por vir, porque estamos a eliminar os terroristas que nos ameaçam, fazemo-lo dia após dia", reforçou.
O primeiro-ministro destacou também a captura, anunciada na terça-feira, de um responsável do Hamas, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado.
"Ontem [terça-feira] detivemos o chefe do `Shin Bet` do Hamas. Certamente aprenderemos algumas coisas", comentou, aludindo às funções do dirigente palestiniano alegadamente detido, como sendo equivalentes ao líder do serviço de segurança interna de Israel.
Esta rara deslocação à Faixa de Gaza, onde as entradas continuam ser altamente restringida pelas autoridades israelitas a jornalistas e observadores independentes, ocorre a menos de dois meses das legislativas em Israel, nas quais Netanyahu enfrenta sondagens desfavoráveis e joga o seu futuro político.
O destino dos territórios palestinianos ocupados é um dos temas centrais da campanha, bem como as circunstâncias dos ataques liderados pelo Hamas há quase três anos no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
A proposta do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza sobre a segunda fase do cessar-fogo foi aceite pelo Hamas, mas recusada pelo primeiro-ministro israelita enquanto não ficar concluído o processo de desarmamento das milícias palestinianas e a desmilitarização do território.
O roteiro da entidade criada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, previa também a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano para gerir o território, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.
A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Desde o início do atual cessar-fogo, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques israelitas.
A UE, Estados Unidos e Israel consideram o Hamas uma organização terrorista.
Israel foi acusado de genocídio pela ofensiva em Gaza, tendo o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitido, em 2024, mandados de captura em nome de Benjamin Netanyahu e do ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza.